domingo, 26 de setembro de 2010

Primavera




Flor caminho que conduz
Em cada pétala rosada, uma perfumada
Estação da luz

domingo, 19 de setembro de 2010

Setembro





Na chuvosa manhã
Pelo menos a orquídea rosa
Inicia a primavera.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Orquídeas 2




A orquídea estende o galho.
Na ponta do galho uma mão.
Na ponta da mão cinco dedos.
Na ponta dos dedos outras mãos.
Com outros galhos e outros dedos
que se estedem até tocar
a ponta de alguma núvem
que mesmo sendo etérea
é uma garra pálida
que a agarra.

domingo, 12 de setembro de 2010

Cantiga de roda



Setembro, frio e calor
Vento bate no batente
Enche a casa de flor

domingo, 29 de agosto de 2010

Testamento



Quando você me deixar
Por favor
Não me deixe bens
Móveis ou imóveis
Nem casa, nem carro
Nem conta bancária
Ou previdência privada
Não me deixe nada

Quando você me deixar
Por favor
Não me deixe dívidas
Obrigações ou títulos
Duplicatas divididas
Em faturas ou carnês
Enterre tudo com você

Quando você me deixar
Por favor
Não me deixe sonhos
Só quero o seu travesseiro
Testemunha das noites
Guardando o seu cheiro
Só essa lembrança
Minha única herança

Quando você me deixar
Por favor
Não me deixe

sexta-feira, 27 de agosto de 2010


Porque você está estirado sobre a mesa do escritório com essa cara de massacre?
Acabei de ser atropelado por uma manada feroz de prioridades.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O livro

Porque se atura tanta literatura? Escrever até escrevo. E gosto, porque é algo que se precisa. Porque não precisa. Mas fazer um livro?. É assim como procriar, deixar um broto, um rastro, um retrato. Fica para toda a vida. Isso eu não quero. Ou quero? Ou há escolha? Há sentido em trepar se não for para procriar? Por nada, só porque deu vontade, uma compulsão, masturbação. Escrever porque descansa. E cansa. E aí a gente senta e deita. Deita a tinta e o papel aceita, em seu leito. Lá onde me deleito. O papel chupa a seiva da caneta, como se tinta fosse leite e a pena uma teta. E a palavra vira sustento. Escrevo, então, por precisão. Ou porque não preciso. Posso até escrever, mas fazer um livro. Ah...aí , não.